22/07/2019

PORQUE O PROGRESSO QUE VOCÊ FAZ NA SALA DE ESTUDO PARECE SUMIR NO DIA SEGUINTE

por Christine Carter com introdução de Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site Bulletproof Musician
Imagem encontrada aqui

Você já sentiu frustração ao pegar uma passagem difícil, trabalhar um pouco nela e fazer com que soe bem, mas no dia seguinte descobrir que a passagem retrocedeu à primeira fase? Que nada realmente mudou? E apesar de ter soado bem ontem, agora soa tão mal quanto antes de você estuda-la?

A maioria de nós consegue viver com "dois passos para frente, um passo para trás". É o "dois passos para frente, dois passos para trás" que faz a gente querer arrancar os cabelos.

O que fazer então?

Será que devemos só continuar assim e aprender a ser mais pacientes? Ou será que existe uma maneira diferente de estudar que pode fazer essas melhorias serem mais permanentes?

Christine Carter entra em cena

29/04/2019

COMO EU AQUEÇO - RACHEL BARTON PINE, parte 2

Esta é a segunda parte da entrevista com a violinista Rachel Barton Pine, a primeira parte está aqui no link:



Helena - Você usa estudo mental?

Rachel - Bastante! Sim! Especialmente para memorização, acho muito útil. Mas mesmo para pensar a musicalidade às vezes. Você pode ficar tão distraído pela execução técnica, que as frases não saem tão bonitas quanto gostaria. Então ocasionalmente eu canto como quero tocar, ouço dentro da minha cabeça e só depois pego o violino e toco. Mas em termos de uma sessão inteira de estudos sem o violino, na maior parte é para memorização. E também tem muito trabalho de preparação sem o violino: estudar a partitura, escutar gravações, contexto histórico, ler sobre o compositor…

Helena - Isso aparece bastante no modo como você toca, todo esse estudo. Outro assunto: muita gente fala sobre estudar oito, dez horas por dia… 

Rachel Barton Pine e o naipe de violinos mais legal do mundo:
os Segundões da OSM
(oficialmente conhecido como naipe de segundos violinos
da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo)
Rachel - Gosto muito de falar sobre isso, porque acho que tem esse erro de concepção, de que se você quiser ser melhor tem que estudar mais horas. Em primeiro lugar: pessoas diferentes têm personalidades diferentes e tem gente que só consegue estar focada por um tanto de tempo. Honestamente, quando você está no palco aos 30 anos de idade, ninguém sabe e nem se importa se a primeira vez que tocou aquela peça foi quando você tinha oito anos de idade, 12, ou 15. Tudo o que importa é: você tem alguma coisa significativa para dizer com essa peça agora? E talvez a pessoa que aprendeu quando tinha oito anos não tenha desenvolvido isso. Então acho que se preocupar em ser o mais jovem ou o mais rápido não traz em si nenhum significado. E digo isso sendo uma pessoa que era, de fato, muito avançada quando era muito nova.

22/04/2019

COMO EU AQUEÇO - RACHEL BARTON PINE, parte 1

Não me lembro exatamente como, mas eu cheguei nesse vídeo aqui, do Parabéns a Você mais impressionante que eu vi na vida. 



Era Rachel Barton Pine, e eu virei fã inconteste. 

Alguns anos depois eu leio o nome dela na programação da orquestra onde toco, a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Imaginou minha euforia?

Ela veio em agosto de 2018 e subiu pela primeira vez ao palco do Theatro Municipal de São Paulo para tocar com a gente. Foi a solista da Serenata para Violino e Orquestra de Leonard Bernstein, peça em 5 movimentos, obra de um lado mais modernoso do compositor. Deu bis nas duas apresentações e foi tudo um deleite.

Rachel topou dar a entrevista com muita simpatia e foi muita conversa, bem mais além do aquecimento. O tempo todo ela conversou de modo franco e com o violino na mão - o Guarnerius Ex-Bazzini Ex-Soldat! - demonstrando tudo que falava. 

Eis aqui a primeira parte do papo que tivemos. Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.

15/12/2018

COMO EU AQUEÇO - OSCAR BOHORQUEZ




Em setembro de 2018 fui convidada para traduzir a masterclass do violinista Oscar Bohorquez que aconteceu na EMESP pelo Mozarteum Brasileiro.
Nessa ocasião gravamos essa pequena entrevista =)

14/12/2018

POR QUE 3:59.4 É UM NÚMERO TÃO SIGNIFICATIVO?

por Noa Kageyama, publicado originalmente no site The Bulletproof Musician

Você já se perguntou do que é capaz? Qual é o limite máximo do seu potencial? Quão talentoso você pode realmente ser?

Buzz Lightyear, personagem dos filmes Toy Story, cujo lema é "Ao infinito e além." 

É assim que se descobre.

15/11/2018

DEZ DIAS COM A CAMERATA ABERTA

por Helena Piccazio

Participar do projeto promovido pela Sociedade de Cultura Artística que reuniu novamente a Camerata Aberta foi para mim uma experiência incrível. Dois dias de concerto no MASP e a gravação de um CD tiveram um gosto muito especial.

Camerata Aberta durante a peça Notes on Light, em concerto no MASP.

06/09/2018

ELIZABETH CHANG - UM PAPO SOBRE CARREIRA

Foto encontrada aqui
Me contactaram perguntando se eu gostaria de entrevistar Elizabeth Chang. Eu disse sim. Só depois fui pesquisar quem era, e gostei do que encontrei. 

Elizabeth é uma violinista que participa de vários projetos interessantes - inclusive trabalhando na organização desses eventos - e foi/é professora de vários brasileiros que foram estudar com ela na Universidade de Massachussets Amherst, além de ensinar jovens talentos no programa preparatório da Juilliard. 

Ela veio ao Brasil em maio de 2018 para uma pequena turnê de masterclasses e concertos. Essa foi a nossa conversa:

06/08/2018

ESTUDAR COM A TV PARA TER UM FOCO-LASER

por Noa Kageyama, publicado originalmente no site The Bulletproof Musician

A data é sábado, 23 de fevereiro de 1991. O violinista Isaac Stern está solando um concerto de Mozart com a Filarmônica de Israel, Zubin Mehta regendo, quando é interrompido por sirenes que sinalizam um ataque aéreo de mísseis Scud.

A orquestra sai do palco para colocar equipamento de proteção; o público permanece em seu lugar usando máscaras de gás. Stern retorna ao palco sem máscara de gás, e começa a tocar a Sarabande da Partita em Re menor de Bach.

A maioria de nós nunca se apresentará em condições como essa, mas por um momento, imagine. Como alguém pode continuar concentrado na performance quando a possibilidade de um ataque de mísseis é tão real e iminente?

19/07/2018

ENRIQUE DIEMECKE - "O MAESTRO FEZ AULA DE VIOLINO COM SZERYNG."

Enrique Arturo Diemecke.
Foto do site dele.
Em abril de 2018 a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, onde toco, recebeu um maestro convidado para reger 2 concertos. No repertório, o Concerto para Piano n. 1 de F. Chopin e a 2a Sinfonia de J. Brahms.

Esse maestro era muito sorridente e muito bom. O mexicano Enrique Arturo Diemecke, diretor artístico do Teatro Colón e maestro da Orquestra Filarmônica de Buenos Aires, conquistou a orquestra toda. A semana com ele foi uma delícia! A maneira e o conhecimento com o qual ele trata a música e os músicos é inspirador, nos estimulou a tocar nosso melhor com um sorriso no rosto.

Durante os ensaios ele deu muitas indicações às cordas, sobretudo aos violinos. Essas indicações ultrapassavam conceitos estilísticos e falavam também de regiões do arco, articulações e coisas bem mais técnicas, que só um violinista saberia. Até que o Djavan Caetano, colega violinista, me contou: ele toca violino, e foi aluno do Szeryng. “Quê?!?!” 

Na primeira oportunidade fui falar com o maestro e perguntei se isso era verdade. Ele confirmou alegremente, e marcamos a entrevista. Convidei o Djavan para vir junto, e foi essa a nossa conversa:

11/05/2018

O MELHOR PERÍODO DO DIA PARA ESTUDAR

por Dr. Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site The Bulletproof Musician

Achei essa foto aqui

O quanto devemos estudar todos os dias é sempre uma questão popular. Nós procuramos no google, lemos livros e entrevistas, e perguntamos por aí para descobrir o quanto os grandes artistas estudam, o quanto nossos professores estudam e o quanto nossos colegas e companheiros estudam.

Enquanto isso, há outra questão, talvez ainda mais importante, que raramente (ou  nunca) é perguntada.

Quando devemos estudar?

04/04/2018

COMO EU AQUEÇO - JON THORNE

Foto de Ollie Ford

Em outubro de 2017 tive o privilégio de acompanhar o violista Jon Thorne como tradutora. Foi uma semana de atividades em São Paulo, onde ele deu masterclasses de viola e música de câmara, além de fazer um ensaio com a Orquestra Sinfônica Infanto-Juvenil do GURI.

Jon Thorne é inglês e estudou viola na London College of Music e depois na Royal College of Music. Hoje em dia é parte do corpo docente da Royal Academy of Music, onde dá aula de viola e música de câmara. Também trabalha com as principais orquestras inglesas - sempre como chefe de naipe - e já se apresentou nos principais palcos da Europa com seus quartetos e grupos de câmara, além de ser banca de concursos internacionais de música de câmara. Vamos falar bem mais sobre a carreira dele em uma outra entrevista (aliás, também ótima), que será publicada aqui em breve.

O fato é que a oportunidade de ver Jon Thorne dando aula, transformando pessoas e sua relação com a música em minutos foi fascinante. Em música de câmara então! Foram poucas as vezes em que presenciei a "arte de dar aula de arte" em cores tão vivas! Ver tanta paixão e eficácia ao ensinar a fazer música me levou a fazer a entrevista, e a conversa com este ser humano generoso foi bem humorada e rica. Espero que gostem!

14/02/2018

UMA MUDANÇA SIMPLES QUE PODE AUMENTAR SUAS CHANCES DE GANHAR UMA AUDIÇÃO

por Dr. Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site The Bulletproof Musician

Quanto tempo por dia devemos estudar para obter o melhor desempenho é um ponto de discussão bem popular. Mas qual foi a última vez que conversou com outro músico sobre a quantidade de tempo por dia que devemos dormir para obter o melhor desempenho?

O Pequeno Violinista Dormindo,
pintura de Ernest Hébert, séc. XIX.
De acordo com pesquisadores de sono como James Maas da Universidade de Cornell, o melhor desempenho mental e físico não vai ocorrer quando estamos em um estado de privação de sono. Em outras palavras, não conseguimos alcançar o nosso potencial e somos incapazes de tocar ou nos apresentar no nível em que somos capazes, se não estamos dormindo o suficiente. E, acredite se quiser, a grande maioria de nós seria classificada como privada de sono. Na verdade, a maioria de nós nem sequer sabe qual é a sensação de estar completamente acordado.

Então uma pessoa normal precisa de quantas horas de sono para ser capaz de atingir o pico de performance?

Já te falo em um minuto, mas primeiro, como podemos dizer se estamos privados de sono ou não?

03/12/2017

MINHA ALUNA DE 84 ANOS

Em 2009, eu estudava num conservatório mais para o sul da Flórida numa cidade pequenininha, e foi nessa época que um colega me perguntou “tem uma senhora que está procurando professor de música de câmara, você quer?” 

Achei a foto aqui
Depois de uma breve conversa ao telefone com a tal senhora, aceitei a empreitada. Marcamos um dia, peguei o trem para a próxima cidadezinha, onde ela morava. Na estação, ela já estava à minha espera e partimos em seu carro. E pude observá-la melhor, uma senhora toda enrugada, doce, bem branquinha de cabelos pintados de castanho escuro, batom rosa choque, muito simpática.

29/10/2017

MAIS JEITOS DE DEFINIR DE OBJETIVOS (QUE FUNCIONAM)

por Dr. Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site The Bulletproof Musician

A importância de definir de objetivos não pode ser minimizada. No entanto, pouquíssimos de nós realmente faz isso, muitas vezes porque não sabemos direito como.

Se você achou esses aqui úteis, aqui estão mais alguns princípios para uma definição de objetivos eficaz.

Escreva

Nosso cérebro é projetado para eficiência. Ele tenta não trabalhar a mais ou armazenar mais informações do que é necessário. Acho que isso tem um pouco a ver com o motivo da nossa tendência a ser bem esquecidos. Esquecemos de pagar um boleto, de mandar cartão de aniversário para a vó, e se a louça na máquina está suja ou limpa. Por que seria diferente com os nossos objetivos?

21/09/2017

4 AMERICANOS EM SÃO PAULO: UMA SEMANA E TANTO!

No final de junho de 2017, desembarcaram em São Paulo quatro estudantes de uma das melhores escolas de música do mundo, a Juilliard School of Music, de Nova York, nos Estados Unidos. Jennifer Liu, Brian Hong (violinos), Jasper Snow (viola) e Eddie Pogossian (violoncelo) vieram ao Brasil para trabalhar com a Orquestra de Cordas do Guri e realizar, em formação de quarteto de cordas, apresentações em alguns polos da instituição.

Orquestra de Cordas do Guri, quarteto da Juilliard, maestro Thibaut Delor, solistas, professores,
músicos convidados, produtores e eu, enfim, todos os envolvidos nessa semana linda.
Foto de Roberta Borges.

A parceria entre a Juilliard e o Guri Santa Marcelina existe desde 2010 e várias ações de intercâmbio entre alunos e profissionais de ambas as instituições vêm acontecendo ao longo desses últimos 7 anos.

07/09/2017

UM BOM JEITO DE DEFINIR OBJETIVOS

por Dr. Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site The Bulletproof Musician

Esse esqueminha SMART de definição de
objetivos vem do mundo dos negócios.

"Você definiu e escreveu objetivos claros para o seu futuro, e fez os planos para realizá-los?"

Em uma lenda urbana bem conhecida, esta pergunta foi feita aos recém graduados em MBA em Harvard no ano de 1979 (ou a classe de Yale de 1953, dependendo de quem conta). A história continua, e descobriram o seguinte:

- 84% não tinham objetivos específicos
- 13% tinham objetivos, mas não por escrito
- 3% tinham metas escritas claras e planos para realizá-las

Dez anos depois, os mesmos indivíduos foram entrevistados novamente. Os 13% que estabeleceram metas estavam ganhando, em média, duas vezes mais que os 84% ​​sem objetivo. Legal, mas nada comparado aos 3% que tinham metas comprometidas ao papel. Esse grupo de super-realizados estava ganhando uma média de dez vezes mais do que os outros dois grupos juntos! (O que eles não ensinam na Harvard Business School).

11/08/2017

PAPO DE VIOLINISTA N. 1 - PABLO DE LEÓN, sobre ser Spalla.

Agora o Blog Papo de Violinista também é canal!

Essa é a estreia do papo em vídeo, começando em grande estilo com Pablo de León. Batemos um papo sobre ser spalla, já que ele é spalla da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.




Alguns links úteis:

23/07/2017

ESTÁ DESMOTIVADO? PARA DESEMPACAR, UMA PERGUNTA SIMPLES.

por Dr. Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site The Bulletproof Musician

Foto encontrada aqui

Objetivo é um ingrediente absolutamente essencial em qualquer receita para o sucesso. Afinal, se você não tem um destino em mente, é improvável você chegar lá assim por acaso.

Ainda assim, os objetivos em si mesmos - não interessa quão inspiradores - são coisas bastante passivas.

Também precisamos de próximas ações.

O que são próximas ações?

25/06/2017

COMO EU AQUEÇO - VADIM REPIN

Foto tirada do site oficial de Vadim Repin
(for the English version, scroll down)

Toc toc toc. De dentro do camarim na Sala São Paulo uma voz disse algo que não deu pra entender. Seria russo? Segundos depois o violinista Vadim Repin abriu a porta e olhou para a gente “Sim?”. Martin, o homem gentil que me levou até ali, nos apresentou e me deixou explicar quem sou e a razão da entrevista. Terminei dizendo “Será rápida e estou pronta”, mostrando meu telefone.
O solista internacional então nos disse: “Fazemos essa rapidinho e depois eu faço a da televisão”. Ele me levou até um par de cadeiras entre um espelho e o banheiro, e tivemos o seguinte papo:


01/06/2017

COMO FAZER DO NERVOSO UMA COISA BOA

por Dr. Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site The Bulletproof Musician 
Encontrei essa imagem aqui

Normalmente somos levados a crer que ficar "nervoso" é uma coisa ruim. De fato, a maioria dos conselhos que ouvi tinha como alvo a redução da ansiedade. Ao longo dos anos, tentei tudo o que podia para me livrar dos sentimentos desagradáveis ​​associados à ansiedade da performance. Tentei comer bananas, tomar chá de camomila, imaginar o público em roupas íntimas, ficar sem dormir, estudar mais, tomar vários suplementos e até mesmo tentar me convencer de que não importava como eu tocava. Nada disso, é claro, tirou meu nervoso, nem me ajudou a tocar melhor.