31/10/2019

PROJETO TCHAIKOVSKY 5 - Períodos mais longos

Daqui para frente vou publicar os diários quinzenalmente. É muito trabalho para cada um dos posts e os estudos se repetem bastante. Assim, com mais informação em um post só, vocês também podem ver a frequência de estudo e do que estudo em cada sessão (e eu também!).

Leituras do período:

E também acabei de assistir o workshop de Kato Havas que tem no YouTube. O primeiro vídeo está aqui. Muito interessante!

16 de setembro de 2019 - segunda

Finalmente terminei de ler a página sobre o Tchaikovsky no Wikipedia. Lá tem informações interessantes que ajudam a olhar para a obra dele.

Abri o violino e comecei a tocar o I movimento. Assim do nada. Toquei um pouco abaixo do tempo, vendo se eu já decorei algo. Tenho as notas e ritmos da primeira página já na minha cabeça (ainda não completamente nos dedos, sobretudo no final da página), faltam as ligaduras e arcadas todas, boa parte das dinâmicas e uma ideia mais concreta do que a orquestra tem. Mas fiquei feliz!

Tenho pouco mais de 1 hora para estudar. Estou perdida sobre o que fazer, confesso…

30/10/2019

TCHAIK PROJECT 5 - Longer periods of time

From now on I will post the diaries every 2 weeks. It’s a lot of work to each post and the practices repeat a lot. This way, with more information in each post, you can also see the frequency of practice sections and of what I practice in each section (me too!).

Readings of those weeks:
The correct way to sit in a chair

And I finished watching the Kato Havas workshop that is on Youtube. The first video is here. Very interesting.

September 16th, 2019 - Monday

I finally finished reading Tchaikovsky’s page on Wikipedia. Has some interesting insights about how to look at his work...

I opened the violin and started playing the 1st movement. Out of the blue. I played a little under tempo, seeing if I memorized something. I have the notes and rhythms of the 1st page already in my head (not all the fingerings yet, specially at the end of the page). I still have to memorize the bowings, a good part of the dynamics and a more solid idea of what the orchestra has. But I got very happy!

I have a little more than 1 hour to practice. I’m lost about what to do, I confess…

08/10/2019

TCHAIK PROJECT 4 - When a week is short

Arriving now and doesn't know what the TCHAIK PROJECT is about? Start here =)

Readings of the week:

September 10th, 2019 - Tuesday

Hello! It’s not everyday that I’m overthrown by anxiety. There are days when I’m overthrown by a huge stomachache as well. But I’ll try to practice anyway. I’m still not satisfied with the consistency of days I practice nor the time I practice in one day, I think it’s not enough. I don’t intend to practice 8 hours in one day, I don’t even have this amount of time available in my routine. My goal right now is to practice 5 days a week (my professional schedule stops me from practicing every single day) between 3 and 4 hours each day. My good concentration does not last more than that.
Going back to today: I have about 3 hours to practice and a strong stomachache.

26/09/2019

PROJETO TCHAIKOVSKY 4 - Quando uma semana é curtinha

Está chegando agora e não sabe o que é o Projeto Tchaikovsky? Comece por aqui =)

Leituras da semana:

10 de setembro de 2019 - terça

Olá! Não é todo dia que eu sou derrubada pela ansiedade. Tem dias que eu sou derrubada por uma forte dor de barriga também. Mas vou tentar estudar mesmo assim. 
Ainda não estou muito satisfeita com a regularidade de dias estudados e nem com o tempo de estudo em um só dia, acho que está pouco. Não tenho a pretensão de estudar 8 horas por dia, eu nem tenho esse tempo disponível no momento. Meu objetivo agora é conseguir estudar 5 dias por semana (por causa da rotina profissional que me impede de estudar todo santo dia) entre 3 e 4 horas cada dia. Minha concentração boa não dura muito mais do que isso.
Voltando para hoje: tenho mais ou menos 2 horas para estudar e uma dor de barriga forte.

17/09/2019

PROJETO TCHAIKOVSKY 3 - Passos de formiguinha


Leituras da semana:

Em The Tchaikovsky Papers eu ainda estou na Introdução e já encontrei informações interessantes. Por exemplo, o fato de que cartas eram considerado um gênero literário e que as cartas deste livro, especialmente as cartas de seus pais e suas cartas da juventude, pertencem à era do Sentimentalismo, onde sentimentos são a coisa importante. O estilo de texto dos trechos de cartas que colocaram na Introdução dão uma ideia da relação entre esse tipo de texto e sua música.
Eu li que não apenas a sua homossexualidade foi escondida do público, mas também sua preferência à monarquia e à religião cristã ortodoxa russa, assim como sua herança musical. Para o regime soviético ateísta era importante que um dos principais heróis russos fosse condizente com as novas crenças.Quando Tchaikovsky era pequeno houve uma governanta em sua casa durante 5 anos, Fanny Dürbach, que o apresentou a muitos livros educacionais escritos por mulheres, todas europeias. "As informações fornecidas por Fanny Dürbach iluminam ainda mais a paisagem cultural da criação de Tchaikovsky, que serviu de pano de fundo estético durante toda a sua vida criativa."(p. xvi, tradução livre) Eles continuaram se correspondendo durante toda a vida dele e se encontraram de novo em 1893, último ano de vida de Piotr.

Em A Arte da Possibilidade estou no 3o capítulo, Dando um A (tradução livre). O autor explica o que é isso muito melhor que eu.



Este livro me faz pensar: e se eu me der um A? E se, com este Projeto, eu estou na verdade tentando ir do Mundo das Medidas para o Reino da Possibilidade?

16/09/2019

TCHAIK PROJECT 3 - Baby steps

Readings of the week:

On The Tchaikovsky Papers I'm still reading the Introduction and there I already found some interesting information. For example, the fact that letters were considered a literary genre and that those in the book, specially from Piotr's parents and his early letters belong to the Sentimentalism era, where feelings were the important issue. The fashion of the letter's text excerpts they put on the Introduction give a glimpse of the relation between this kind of text and Tchaikovsky's music. 
I read that not only his homosexuality was hidden from the public but also his preference to monarchy and Russian orthodox christian religion, and his musical heritage. For the atheist Soviet Regime it was important that one of the main Russian heroes was in line with the new beliefs. 
When Tchaikovsky was young there was a governess in his house for 5 years, Fanny Dürbach, who introduced him to several educational books written by women, all of them european. "The information provided by Fanny Dürbach further illuminates the cultural landscape of Tchaikovsky's upbringing, which served as an aesthetic background throughout his entire creative life." (p. xvi) They kept writing letters to each other throughout his life and met once again in 1893, his final year.

On The Art of Possibility I'm on the 3rd chapter, Giving an A. The author explains it a lot better than I do:


This book makes me think: what if I give myself an A? What if, with this Project, I'm actually trying to go from the World of Measurement to the Realm of Possibility?

07/09/2019

PROJETO TCHAIKOVSKY 2 - Mãos à obra!


Esta é a segunda semana do Projeto. Como foi a primeira?

Segunda semana

Pensei que seria uma boa ideia começar contando a vocês o que ando lendo:

À esquerda vocês podem ver The Tchaikovsky Papers, editado por Marina Kostalevsky. Estou lendo por recomendação do amigo Alejandro Aldana. Foi lançado há pouco tempo pela editora da Universidade de Yale e estou lendo para entender mais como esse compositor era como pessoa, o que esculpiu seu universo artístico e como ele se relacionava com o mundo. Esse livro é um compêndio de cartas do Tchaikovsky e pessoas próximas que ficaram em segredo por séculos.

À direita está A Arte da Possibilidade, um livro escrito pelo maestro Benjamin Zander e Rosamund Zander, que trabalha com terapia familiar e artes. Estou lendo esse livro por causa das perspectivas que ele mostra, uma visão diferente da vida, dos desafios e das relações (como a que estou tentando construir com o Concerto de Tchaikovsky).



Também gostaria de compartilhar uma playlist que fiz no Youtube com os vídeos que estou assistindo para este projeto. Está aqui.


Aos diários!

06/09/2019

TCHAIK PROJECT 2 - Let the work begin!


This is the second week of the Project. How was the first week?

Second week

I thought it was a good ideia to start by telling you what I've been reading:

On the left you see The Tchaikovsky Papers, edited by Marina Kostalevsky. I'm reading this after the recommendation of a friend. It's been recently released by the Yale University Press and I'm reading it trying to understand more of who this composer was as a person, what shaped his artistic universe and how he related to the world. The book is a compendium of letters from Tchaikovsky and people close to him that were kept secret for centuries.


On the right you see The Art of Possibility, a book written by the conductor and teacher Benjamin Zander and Rosamund Zander, who works with family therapy and arts. I'm reading this book because of the perspective it shows, a different outlook on life, challenges and relationships (like the one I am trying to build with the Tchaikovsky Concerto).



I also would like to share a playlist on YouTube of what I'm watching for this project. You can see it here.


Now off to the practice diaries!

02/09/2019

TCHAIK PROJECT 1 - First week



August 20th, 2019 - Tuesday

Before opening the violin case I’m already gasping. We think anxiety comes only when we are performing? In my case it is already present even before I start practicing. I just posted the video introducing the TCHAIK PROJECT in Portuguese, and the exposition of the vulnerabilities of my journey as a violinist makes me tense. But when we go on stage isn’t it what we do? We expose all we have, everything we are, and the more we put ourselves into what we are playing, the more what the audience hears is the music.

Good process for us! =)

I had 15 minutes to practice. I did:

01/09/2019

PROJETO TCHAIKOVSKY 1 - Primeira semana



20 de agosto de 2019 - terça

Antes de abrir o violino já estou arfando. A gente pensa que o nervoso vem só enquanto está no palco? No meu caso já está presente antes mesmo de começar a estudar. Acabei de publicar o vídeo de apresentação do PROJETO TCHAIKOVSKY, e a exposição das vulnerabilidades do meu percurso como violinista me deixa tensa. Mas quando a gente vai para o palco não é isso que fazemos? Expomos tudo que temos, tudo que somos e quanto mais nos colocamos no que estamos tocando, mais o que o público ouve é a música.

Bom processo para nós! =)

Tinha 15 minutos pra estudar. Fiz:

22/08/2019

PROJETO TCHAIKOVSKY - TCHAIK PROJECT

(English below)

Primeiro vem o vídeo de apresentação:



Depois um pedaço do texto do projeto de pesquisa que foi aceito pela USP:

22/07/2019

PORQUE O PROGRESSO QUE VOCÊ FAZ NA SALA DE ESTUDO PARECE SUMIR NO DIA SEGUINTE

por Christine Carter com introdução de Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site Bulletproof Musician
Imagem encontrada aqui

Você já sentiu frustração ao pegar uma passagem difícil, trabalhar um pouco nela e fazer com que soe bem, mas no dia seguinte descobrir que a passagem retrocedeu à primeira fase? Que nada realmente mudou? E apesar de ter soado bem ontem, agora soa tão mal quanto antes de você estuda-la?

A maioria de nós consegue viver com "dois passos para frente, um passo para trás". É o "dois passos para frente, dois passos para trás" que faz a gente querer arrancar os cabelos.

O que fazer então?

Será que devemos só continuar assim e aprender a ser mais pacientes? Ou será que existe uma maneira diferente de estudar que pode fazer essas melhorias serem mais permanentes?

Christine Carter entra em cena

29/04/2019

COMO EU AQUEÇO - RACHEL BARTON PINE, parte 2

Esta é a segunda parte da entrevista com a violinista Rachel Barton Pine, a primeira parte está aqui no link:



Helena - Você usa estudo mental?

Rachel - Bastante! Sim! Especialmente para memorização, acho muito útil. Mas mesmo para pensar a musicalidade às vezes. Você pode ficar tão distraído pela execução técnica, que as frases não saem tão bonitas quanto gostaria. Então ocasionalmente eu canto como quero tocar, ouço dentro da minha cabeça e só depois pego o violino e toco. Mas em termos de uma sessão inteira de estudos sem o violino, na maior parte é para memorização. E também tem muito trabalho de preparação sem o violino: estudar a partitura, escutar gravações, contexto histórico, ler sobre o compositor…

Helena - Isso aparece bastante no modo como você toca, todo esse estudo. Outro assunto: muita gente fala sobre estudar oito, dez horas por dia… 

Rachel Barton Pine e o naipe de violinos mais legal do mundo:
os Segundões da OSM
(oficialmente conhecido como naipe de segundos violinos
da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo)
Rachel - Gosto muito de falar sobre isso, porque acho que tem esse erro de concepção, de que se você quiser ser melhor tem que estudar mais horas. Em primeiro lugar: pessoas diferentes têm personalidades diferentes e tem gente que só consegue estar focada por um tanto de tempo. Honestamente, quando você está no palco aos 30 anos de idade, ninguém sabe e nem se importa se a primeira vez que tocou aquela peça foi quando você tinha oito anos de idade, 12, ou 15. Tudo o que importa é: você tem alguma coisa significativa para dizer com essa peça agora? E talvez a pessoa que aprendeu quando tinha oito anos não tenha desenvolvido isso. Então acho que se preocupar em ser o mais jovem ou o mais rápido não traz em si nenhum significado. E digo isso sendo uma pessoa que era, de fato, muito avançada quando era muito nova.

22/04/2019

COMO EU AQUEÇO - RACHEL BARTON PINE, parte 1

Não me lembro exatamente como, mas eu cheguei nesse vídeo aqui, do Parabéns a Você mais impressionante que eu vi na vida. 



Era Rachel Barton Pine, e eu virei fã inconteste. 

Alguns anos depois eu leio o nome dela na programação da orquestra onde toco, a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Imaginou minha euforia?

Ela veio em agosto de 2018 e subiu pela primeira vez ao palco do Theatro Municipal de São Paulo para tocar com a gente. Foi a solista da Serenata para Violino e Orquestra de Leonard Bernstein, peça em 5 movimentos, obra de um lado mais modernoso do compositor. Deu bis nas duas apresentações e foi tudo um deleite.

Rachel topou dar a entrevista com muita simpatia e foi muita conversa, bem mais além do aquecimento. O tempo todo ela conversou de modo franco e com o violino na mão - o Guarnerius Ex-Bazzini Ex-Soldat! - demonstrando tudo que falava. 

Eis aqui a primeira parte do papo que tivemos. Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.

15/12/2018

COMO EU AQUEÇO - OSCAR BOHORQUEZ




Em setembro de 2018 fui convidada para traduzir a masterclass do violinista Oscar Bohorquez que aconteceu na EMESP pelo Mozarteum Brasileiro.
Nessa ocasião gravamos essa pequena entrevista =)

14/12/2018

POR QUE 3:59.4 É UM NÚMERO TÃO SIGNIFICATIVO?

por Noa Kageyama, publicado originalmente no site The Bulletproof Musician

Você já se perguntou do que é capaz? Qual é o limite máximo do seu potencial? Quão talentoso você pode realmente ser?

Buzz Lightyear, personagem dos filmes Toy Story, cujo lema é "Ao infinito e além." 

É assim que se descobre.

15/11/2018

DEZ DIAS COM A CAMERATA ABERTA

por Helena Piccazio

Participar do projeto promovido pela Sociedade de Cultura Artística que reuniu novamente a Camerata Aberta foi para mim uma experiência incrível. Dois dias de concerto no MASP e a gravação de um CD tiveram um gosto muito especial.

Camerata Aberta durante a peça Notes on Light, em concerto no MASP.

06/09/2018

ELIZABETH CHANG - UM PAPO SOBRE CARREIRA

Foto encontrada aqui
Me contactaram perguntando se eu gostaria de entrevistar Elizabeth Chang. Eu disse sim. Só depois fui pesquisar quem era, e gostei do que encontrei. 

Elizabeth é uma violinista que participa de vários projetos interessantes - inclusive trabalhando na organização desses eventos - e foi/é professora de vários brasileiros que foram estudar com ela na Universidade de Massachussets Amherst, além de ensinar jovens talentos no programa preparatório da Juilliard. 

Ela veio ao Brasil em maio de 2018 para uma pequena turnê de masterclasses e concertos. Essa foi a nossa conversa:

06/08/2018

ESTUDAR COM A TV PARA TER UM FOCO-LASER

por Noa Kageyama, publicado originalmente no site The Bulletproof Musician

A data é sábado, 23 de fevereiro de 1991. O violinista Isaac Stern está solando um concerto de Mozart com a Filarmônica de Israel, Zubin Mehta regendo, quando é interrompido por sirenes que sinalizam um ataque aéreo de mísseis Scud.

A orquestra sai do palco para colocar equipamento de proteção; o público permanece em seu lugar usando máscaras de gás. Stern retorna ao palco sem máscara de gás, e começa a tocar a Sarabande da Partita em Re menor de Bach.

A maioria de nós nunca se apresentará em condições como essa, mas por um momento, imagine. Como alguém pode continuar concentrado na performance quando a possibilidade de um ataque de mísseis é tão real e iminente?

19/07/2018

ENRIQUE DIEMECKE - "O MAESTRO FEZ AULA DE VIOLINO COM SZERYNG."

Enrique Arturo Diemecke.
Foto do site dele.
Em abril de 2018 a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, onde toco, recebeu um maestro convidado para reger 2 concertos. No repertório, o Concerto para Piano n. 1 de F. Chopin e a 2a Sinfonia de J. Brahms.

Esse maestro era muito sorridente e muito bom. O mexicano Enrique Arturo Diemecke, diretor artístico do Teatro Colón e maestro da Orquestra Filarmônica de Buenos Aires, conquistou a orquestra toda. A semana com ele foi uma delícia! A maneira e o conhecimento com o qual ele trata a música e os músicos é inspirador, nos estimulou a tocar nosso melhor com um sorriso no rosto.

Durante os ensaios ele deu muitas indicações às cordas, sobretudo aos violinos. Essas indicações ultrapassavam conceitos estilísticos e falavam também de regiões do arco, articulações e coisas bem mais técnicas, que só um violinista saberia. Até que o Djavan Caetano, colega violinista, me contou: ele toca violino, e foi aluno do Szeryng. “Quê?!?!” 

Na primeira oportunidade fui falar com o maestro e perguntei se isso era verdade. Ele confirmou alegremente, e marcamos a entrevista. Convidei o Djavan para vir junto, e foi essa a nossa conversa: