11/05/2018

O MELHOR PERÍODO DO DIA PARA ESTUDAR

por Dr. Noa Kageyama, publicado originalmente no blog do site The Bulletproof Musician

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O quanto devemos estudar todos os dias é sempre uma questão popular. Nós procuramos no google, lemos livros e entrevistas, e perguntamos por aí para descobrir o quanto os grandes artistas estudam, o quanto nossos professores estudam e o quanto nossos colegas e companheiros estudam.

Enquanto isso, há outra questão, talvez ainda mais importante, que raramente (ou  nunca) é perguntada.

Quando devemos estudar?

Por que o “quando” importa

A maioria concordaria que a prática deliberada, pensada e focada é um uso mais efetivo do tempo de estudo do que a repetição descuidada, desorganizada e sem sentido. Claro, essa prática deliberada requer a capacidade de se concentrar e pensar criticamente e criativamente sobre o que estamos fazendo e trabalhando para realizar. É difícil fazer isso quando estamos cansados, com sono ou com pouca energia.

Quem cedo madruga fica... cansado

Por exemplo, houve um tempo em que eu me levantava às 4:30 da manhã para estudar antes da escola. Eu rastejava para fora da cama, pegava meu violino, sentava na frente da partitura e me arrastava por escalas e outros exercícios técnicos para tirar isso da frente primeiro. Claro, eu estava jogado na cadeira, minha mente praticamente ainda dormindo, e eu só passava pelos movimentos de tocar meus estudos sem prestar muita atenção no que estava acontecendo. Não precisa dizer que não mantive isso por muito tempo, já que logo ficou evidente que era uma perda de tempo. Eu não conseguia extrair muito do meu estudo matinal, e ficava tão cansado depois da escola que eu não conseguia muito dos estudos à tarde e à noite. Na época, eu simplesmente não tinha sido feito para estudar efetivamente às 4:30 da manhã.

O sono é certamente um fator crítico no desempenho ideal, mas este texto não é sobre o sono em si. É sobre descobrir o cronograma diário do seu relógio biológico interno, e planejar seu horário de estudo em torno dos períodos do dia em que você está naturalmente mais alerta. É sobre usar uma compreensão do seu relógio corporal em sua vantagem, para que você possa estudar de forma mais produtiva e fazer mais coisas em menos tempo. E não, este não é o mesmo relógio biológico que Marisa Tomei se refere em Meu Primo Vinny.

Nosso relógio biológico

Cada um de nós funciona num cronograma de 24 horas (algumas pesquisas sugerem que pode ser mais perto de 25 horas e, embora as implicações sejam bem legais, estão além do escopo deste texto). Os vários ciclos diários de alerta, mudanças na temperatura corporal e produção hormonal são freqüentemente referidos como ritmos circadianos. Esses ritmos são bastante estáveis ​​e previsíveis, desde que a gente não mexa com eles. As coisas ficam um pouco bagunçadas quando mudamos de fuso horário (ou seja, o jet lag) ou se a hora de dormir e de acordar são irregulares e inconsistentes durante a semana (por isso que é bom escolher uma hora para dormir e uma hora para levantar, e mante-los mesmo nos finais de semana).

Você já notou que parece haver certos períodos do dia que você tende a estar mais alerta e outros que tende a estar mais sonolento? Por volta de 21h, por exemplo, é uma hora geralmente bem improdutiva para mim. Mesmo que eu não esteja sonolento o suficiente para dormir, eu tenho dificuldade em fazer meu cérebro trabalhar tão rápido quanto pode em outros momentos do dia. Se eu chegar às 22:30 ou às 23:00, as coisas costumam voltar a entrar no eixo e eu sou bastante produtivo.

Duas forças opostas

Isso ocorre porque existem duas forças diferentes em ação. Vamos chamá-los de Sonolento e Ligeirinho. Sonolento está constantemente tentando fazer você dormir, enquanto o Ligeirinho está sempre tentando mantê-lo acordado. Tanto o Sonolento quanto o Ligeirinho trabalham o dia inteiro, mas cada um afrouxa um pouco em diferentes momentos, dependendo da hora do dia. Para a maioria, Sonolento é mais forte no meio da tarde, enquanto o Ligeirinho é mais forte no meio da manhã e no final da tarde até o meio da noite.

Faça um gráfico do seu dia

A chave é descobrir quando cada uma dessas forças opostas é mais forte para você e seu conjunto único de ritmos biológicos. Tome uma semana para traçar o gráfico de quando está mais sonolento e mais alerta. Use um gráfico semelhante ao abaixo para cada dia da semana e combine-os em um único gráfico quando tiver dados suficientes para enxergar um padrão.


(fonte: Power Sleep, de James Maas)

Faça uma pausa no estudo - sem culpa!

Agora que você sabe quando seu corpo está preparado para o estudo e quando não está, não lute contra seu relógio biológico natural. Estude durante os períodos mais alertas e faça outra coisa durante os períodos de baixa energia, completamente livre de culpa (como tarefas domésticas, chatices do dia-a-dia, leitura por prazer ou… ei!, tire uma soneca!).

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Dr. Noa Kageyama é um violinista que resolveu partir para a área da Psicologia da Performance e hoje integra o corpo docente da Juilliard School e New World Symphony em Miami, além de ser convidado das principais instituições de ensino de música nos EUA, ensinando músicos como tocar o seu melhor sob pressão através de aulas ao vivo, treinos e um curso on-line.


Tradução autorizada, por Helena Piccazio com colaboração de Luciano Piccazio Raszl
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6 comentários:

  1. muito legal trazer este texto, querida Helena!

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    1. Obrigada Aída! É legal ler essas coisas, né?

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  2. Se o Dr.Noa souber que as 40 e 30 da manhã estou disposto a estudsr ele me mata rsrs...
    Muito grato pela tardução Helena, abraços.

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    1. Acho que se ele souber que você conseguiu observar isso, iria achar bom! O duro é lidar, né? Algum amigo querido tem um estúdio?...

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  3. maravilhoso!!! tudo isso esta me ajudando mto obg!

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